sexta-feira, 17 de junho de 2016

O grito do Abandono

Já li Montesquieu,
Sartre, Camus, Kerouac
Ginsberg, todos, todos
esses
Esses que, de certa forma
gritavam a liberdade
gritavam a independência
Anjos e demônios
dentro de uma mesma pessoa
Eu, tal como Allen
Vi as melhores mentes
da minha geração
enlouquecerem
perdidas nas ruas
perdidas na vida
Eu, leitor voraz
tentei gritar também
tentei correr
tentei sorrir
tentei chorar
nada restou
e tudo acabou
e tudo sumiu
junto comigo
e junto com eles
e junto das ruas
e junto de tudo
Nada sobrou
e nada restou
só talvez um grito
de abandono
onde mesmo rodeado
de tanta gente
e tantos rostos
nada, nada
pode ser feito
ou repetido
ou recomeçado
pelo grito do abandono
eu marcho
eu ando
eu caminho
eu corro
pra lugar nenhum
e sigo
sigo
sigo sempre
andando
sem destino
e sem amor
somente com
o grito do abandono
ao meu lado

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