Já li Montesquieu,
Sartre, Camus, Kerouac
Ginsberg, todos, todos
esses
Esses que, de certa forma
gritavam a liberdade
gritavam a independência
Anjos e demônios
dentro de uma mesma pessoa
Eu, tal como Allen
Vi as melhores mentes
da minha geração
enlouquecerem
perdidas nas ruas
perdidas na vida
Eu, leitor voraz
tentei gritar também
tentei correr
tentei sorrir
tentei chorar
nada restou
e tudo acabou
e tudo sumiu
junto comigo
e junto com eles
e junto das ruas
e junto de tudo
Nada sobrou
e nada restou
só talvez um grito
de abandono
onde mesmo rodeado
de tanta gente
e tantos rostos
nada, nada
pode ser feito
ou repetido
ou recomeçado
pelo grito do abandono
eu marcho
eu ando
eu caminho
eu corro
pra lugar nenhum
e sigo
sigo
sigo sempre
andando
sem destino
e sem amor
somente com
o grito do abandono
ao meu lado
n Neuroses
Paranoias de um coração aos berros.
sexta-feira, 17 de junho de 2016
sábado, 11 de junho de 2016
Quem é?
Gustavo estava tomando café da manhã quando viu uma xícara atravessar a cozinha voando e se espatifar na parede.
- PUTA MERDA - ele gritou
- GUSTAVO - era Natália, sua esposa - POR QUE VOCÊ TÁ ME TRAINDO?
- QUE TRAINDO, O QUE VOCÊ TÁ FALANDO, VOCÊ TÁ MALUCA? - ele realmente não estava entendendo nada.
- GUSTAVO NÃO MENTE PRA MIM - os tapas que ela estava dando nele doíam em qualquer um que visse a cena.
- CALMA, POR QUE EU ESTARIA TE TRAINDO?
- GUSTAVO, VOCÊ SABE MUITO BEM O POR QUE - ela aumentou a frequência dos tabefes.
- CALMA, CALMA, PERA AÍ. RESPIRA. O que aconteceu?
- NÃO SE FAZ DE IDIOTA - ela estava esperneando e a frequência dos gritos estava chegando a níveis supersônicos.
- CALMA, NATÁLIA. CALMA!
- GUSTAVO, QUEM É ESSA VAGABUNDA NESSA FOTO QUE VOCÊ ESTÁ DANDO BEIJINHO NA BOCHECHA E COLOCANDO LEGENDA DE CORAÇÃO? - ela apontou o celular na cara dele.
- Amor, essa é a minha irmã.
Natália parou. Olhou para o celular. Olhou para Gustavo. Olhou para o celular. Olhou para Gustavo.
- Ah. Então tá tudo bem.
Saiu da cozinha com a maior naturalidade do mundo. Ele continuou lá por mais meia hora, paralisado. Com medo da doida varrida com quem ele dividia o lar.
- PUTA MERDA - ele gritou
- GUSTAVO - era Natália, sua esposa - POR QUE VOCÊ TÁ ME TRAINDO?
- QUE TRAINDO, O QUE VOCÊ TÁ FALANDO, VOCÊ TÁ MALUCA? - ele realmente não estava entendendo nada.
- GUSTAVO NÃO MENTE PRA MIM - os tapas que ela estava dando nele doíam em qualquer um que visse a cena.
- CALMA, POR QUE EU ESTARIA TE TRAINDO?
- GUSTAVO, VOCÊ SABE MUITO BEM O POR QUE - ela aumentou a frequência dos tabefes.
- CALMA, CALMA, PERA AÍ. RESPIRA. O que aconteceu?
- NÃO SE FAZ DE IDIOTA - ela estava esperneando e a frequência dos gritos estava chegando a níveis supersônicos.
- CALMA, NATÁLIA. CALMA!
- GUSTAVO, QUEM É ESSA VAGABUNDA NESSA FOTO QUE VOCÊ ESTÁ DANDO BEIJINHO NA BOCHECHA E COLOCANDO LEGENDA DE CORAÇÃO? - ela apontou o celular na cara dele.
- Amor, essa é a minha irmã.
Natália parou. Olhou para o celular. Olhou para Gustavo. Olhou para o celular. Olhou para Gustavo.
- Ah. Então tá tudo bem.
Saiu da cozinha com a maior naturalidade do mundo. Ele continuou lá por mais meia hora, paralisado. Com medo da doida varrida com quem ele dividia o lar.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
O Fabricante de Emoções
Ele acorda. Lê o jornal. A política não o interessa. Ele quer seu café-da-manhã. Vodka, por favor. Não tem? Serve vinho mesmo. Ele sai de casa. Acende o cigarro. Anda, sem rumo. A cidade é cinza. As pessoas não. Ele olha tudo ao seu redor. Um casal apaixonado, um coração aos berros. "Quantas coisas você pode achar nas ruas de São Paulo", ele pensa. Uma criança com fome, um idoso abandonado. Uma mãe super-protetora, um pai ausente. Ele pode voltar pra casa agora, já encontrou o que precisava. Sua matéria prima é o sentir. Ele senta na cadeira, encara a tela, bate os dedos vigorosamente em cada tecla. Derrama tudo que tem e o que não tem naqueles pequenos botões. Ele fabrica emoções a partir dos dedos. Está exausto. Não sobrou nada. Mais uma vodka, por favor. Ele chora, ele sorri, ele se apaixona, ele vê o amor ir embora, ele ri, ele fica com medo. Ele vê em sua tela só o preto e o branco. Esquece, às vezes, porém, que nas suas pequenas manchas pretas num fundo branco estão contidas as emoções mais coloridas que existem.
terça-feira, 31 de maio de 2016
Quem um dia irá dizer | Crônicas do 6450-10
O ônibus balançava. Muito. Quem anda por São Paulo já está acostumado com a irregularidade das vias da cidade. Naquela manhã, porém, um buraco da Nove de Julho iria a vida dos dois. Ela caiu em cima dele.
- Desculpa, moço! Eu tava distraída e não me segurei, foi mal!
- Não, relaxa! Não tem problema!
Ela deu um sorriso. Ele retribuiu.
"Pelo menos ele foi gentil" - Ela pensou
"Será que eu deveria falar pra Ela sentar no meu lugar?" - Ele se indagou.
- Você pode sentar no meu lugar, se quiser
- Não precisa!
- Tem certeza?
- Tenho!
Mais um pouco de silêncio. Pensamentos a mil.
- Outro dia eu te vi lendo um livro que pareceu muito bonito, qual era?
- Você já me viu?
- Você está sempre aqui, não? - quando terminou a frase, Ele pensou que essa era a cantada mais manjada do mundo
- Estou. Mas nunca te vi. De todo o jeito, era "Grande Sertão: Veredas"
- Guimarães Rosa, né?
- Isso mesmo. Adoro ele.
- Eu também.
****
Os dias foram passando e passando e as conversas no ônibus não era mais suficientes. Marcaram de ir ao cinema. Ela podia escolher o filme, Ele não se importava. Woody Allen, o mais novo. No meio da sessão, Ele segurou a mão dela. Se olharam. Botaram no mundo aquilo que já vinham sentindo.
****
Os anos se passaram e agora eles estavam morando juntos. Todos no ônibus já conheciam os dois. Numa manhã, como aquela primeira, Ele a pediu em casamento no meio da Santo Amaro. Ela aceitou. Estão juntos até hoje.
Não, eles não eram Eduardo e Mônica e a história dos dois não é uma prova irrefutável de que todo mundo tem uma alma gêmea no mundo. É só a prova de que o amor pode nascer em qualquer lugar, a qualquer momento. Até no 6450-10.
- Desculpa, moço! Eu tava distraída e não me segurei, foi mal!
- Não, relaxa! Não tem problema!
Ela deu um sorriso. Ele retribuiu.
"Pelo menos ele foi gentil" - Ela pensou
"Será que eu deveria falar pra Ela sentar no meu lugar?" - Ele se indagou.
- Você pode sentar no meu lugar, se quiser
- Não precisa!
- Tem certeza?
- Tenho!
Mais um pouco de silêncio. Pensamentos a mil.
- Outro dia eu te vi lendo um livro que pareceu muito bonito, qual era?
- Você já me viu?
- Você está sempre aqui, não? - quando terminou a frase, Ele pensou que essa era a cantada mais manjada do mundo
- Estou. Mas nunca te vi. De todo o jeito, era "Grande Sertão: Veredas"
- Guimarães Rosa, né?
- Isso mesmo. Adoro ele.
- Eu também.
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Os dias foram passando e passando e as conversas no ônibus não era mais suficientes. Marcaram de ir ao cinema. Ela podia escolher o filme, Ele não se importava. Woody Allen, o mais novo. No meio da sessão, Ele segurou a mão dela. Se olharam. Botaram no mundo aquilo que já vinham sentindo.
****
Os anos se passaram e agora eles estavam morando juntos. Todos no ônibus já conheciam os dois. Numa manhã, como aquela primeira, Ele a pediu em casamento no meio da Santo Amaro. Ela aceitou. Estão juntos até hoje.
Não, eles não eram Eduardo e Mônica e a história dos dois não é uma prova irrefutável de que todo mundo tem uma alma gêmea no mundo. É só a prova de que o amor pode nascer em qualquer lugar, a qualquer momento. Até no 6450-10.
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Batata.
Gosto muito de cozinhar. Horas e horas do meu tempo são investidas em
ficar vendo receitas por essa internet a fora pra testar depois.
Obviamente, como todo conhecimento adquirido na internet, nem um quarto
disso é aplicado. Mas gosto mesmo assim, e até que me viro bem na
cozinha. Mas no último sábado eu não estava com vontade alguma. O que
comer? Pizza? Não, já comi ontem. Esfiha? As do Habib’s chegam frias em
casa. Podrão que têm delivery? Fecharam. Meu maior temor se concretiza:
teria de sair de casa e ir buscar alguma coisa. Penso logo no império do
palhaço. Têm um McDonald’s perto de casa.
Como a chuva não tinha dado trégua durante a semana, tenho de pegar o carro. Tentando evitar o máximo de interação social possível, penso “Vou passar no drive-thru” e com essa ideia na cabeça concluo que tenho licença para ir de pijama até lá, afinal, não sairia do carro. Abdicando de qualquer norma social, lá vou eu.
Chego no lugar e vejo a fila quilométrica. Conhecendo bem o atendimento daquele McDonald’s estimo que ficaria uns 40 minutos, no mínimo, naquela fila. Irônico, no mínimo, para um fast-food. Perdendo um pouco mais da minha humanidade penso “Eu já sai de casa de pijama. E no final, é só uma roupa. Vou lá dentro que vou sair mais rápido"
Entro no restaurante. "Qual o pedido, senhor?”. Cheddar McMelt, sem cebola. Fanta, por favor. Pode botar a batata grande por mais um real, por favor. “Só aguardar ao lado, senhor”. Perfeito. O que me levaria uma eternidade na fila dos carros me tomou apenas dez minutos na fila dos bípedes. O atendente bota uma bandeja na minha frente. Arremessa um Cheddar McMelt sem cebola nela. Larga uma batata grande do lado. “Agora só falta a bebida” penso eu. Vejo o atendente indo para o outro lado. A moça do caixa ao lado registrou doze sorvetes para o cliente da outra fila, e ele tinha de cancelar o pedido. Vendo que ia demorar um pouco, sequestro uma batata da bandeja. E outra, e outra, e outra. Bruxaria, a batata do McDonald’s. Impossível comer uma. A crise da outra fila foi resolvida, quando as batatas chegaram quase na metade.
Nesse momento o atendente volta e joga um Big Mac na bandeja. E nesse momento eu percebi que aquela não era o meu pedido, e sim o pedido de um grupo de garotas que também estava “aguardando ao lado”.
“Onde esse mundo vai parar?” elas devem ter pensado. Um mundo onde psicopatas de pijama roubas suas batatas só pode estar fadado a um fim apocalíptico.
Como a chuva não tinha dado trégua durante a semana, tenho de pegar o carro. Tentando evitar o máximo de interação social possível, penso “Vou passar no drive-thru” e com essa ideia na cabeça concluo que tenho licença para ir de pijama até lá, afinal, não sairia do carro. Abdicando de qualquer norma social, lá vou eu.
Chego no lugar e vejo a fila quilométrica. Conhecendo bem o atendimento daquele McDonald’s estimo que ficaria uns 40 minutos, no mínimo, naquela fila. Irônico, no mínimo, para um fast-food. Perdendo um pouco mais da minha humanidade penso “Eu já sai de casa de pijama. E no final, é só uma roupa. Vou lá dentro que vou sair mais rápido"
Entro no restaurante. "Qual o pedido, senhor?”. Cheddar McMelt, sem cebola. Fanta, por favor. Pode botar a batata grande por mais um real, por favor. “Só aguardar ao lado, senhor”. Perfeito. O que me levaria uma eternidade na fila dos carros me tomou apenas dez minutos na fila dos bípedes. O atendente bota uma bandeja na minha frente. Arremessa um Cheddar McMelt sem cebola nela. Larga uma batata grande do lado. “Agora só falta a bebida” penso eu. Vejo o atendente indo para o outro lado. A moça do caixa ao lado registrou doze sorvetes para o cliente da outra fila, e ele tinha de cancelar o pedido. Vendo que ia demorar um pouco, sequestro uma batata da bandeja. E outra, e outra, e outra. Bruxaria, a batata do McDonald’s. Impossível comer uma. A crise da outra fila foi resolvida, quando as batatas chegaram quase na metade.
Nesse momento o atendente volta e joga um Big Mac na bandeja. E nesse momento eu percebi que aquela não era o meu pedido, e sim o pedido de um grupo de garotas que também estava “aguardando ao lado”.
“Onde esse mundo vai parar?” elas devem ter pensado. Um mundo onde psicopatas de pijama roubas suas batatas só pode estar fadado a um fim apocalíptico.
Entrée.
O desespero havia tomado conta da casa. Os gritos ecoavam por todos
os cômodos, o choro das duas crianças eram agudos a princípio e se
tornavam sem força e sem vida após alguns segundos intensos.
O pai logo correu até a cozinha para ver o que havia acontecido. Ao chegar no ambiente, viu a mãe sorrindo para ele, com a boca ensanguentada. Em seus braços, a filha jazia morta. A vida escorria, vermelha, por seu pescoço. A mãe só sorria, com os dentes banhados de rubro a mostra.
Em um dos cantos, o filho chorava copiosamente com completo terror. Os olhos inchados, o nariz escorrendo, o mais puro desespero. A mãe agora ria.
Ao ver a situação do garoto, o pai sabia, com toda a certeza que apesar de não ter degustado a entrada, poderia se deliciar com aquela sobremesa.
O pai logo correu até a cozinha para ver o que havia acontecido. Ao chegar no ambiente, viu a mãe sorrindo para ele, com a boca ensanguentada. Em seus braços, a filha jazia morta. A vida escorria, vermelha, por seu pescoço. A mãe só sorria, com os dentes banhados de rubro a mostra.
Em um dos cantos, o filho chorava copiosamente com completo terror. Os olhos inchados, o nariz escorrendo, o mais puro desespero. A mãe agora ria.
Ao ver a situação do garoto, o pai sabia, com toda a certeza que apesar de não ter degustado a entrada, poderia se deliciar com aquela sobremesa.
Quando você voltar.
- Puta merda,
eu não aguento mais brigar com você! – ela disse enquanto saiu em disparada
para a porta
- Calma, vamos conversar! – ele tentou reparar o dano
A briga tinha começado por algo completamente besta. A escolha de canais na TV no horário nobre. Como toda boa briga de casal que se prese o que começou completamente banal havia se tornado um cenário digno de batalha travada em uma das Guerras Mundiais. As brigas tinham se tornado cada vez mais comum, quase uma rotina na vida do casal. Era uma fórmula feita: tinham bons momentos, algo besta engatilhava uma briga, brigavam feio, tudo voltava ao normal.
Ele tentou ligar para ela. Não atendeu.
Não havia muito o que fazer naquela situação. Quando ela ficava brava o lance era esperar a poeira baixar e tentar conversar sobre o que tinha acontecido. Quando a briga era mais feia, ela saía para dirigir por entre as ruas da cidade.
Ele estava sozinho. Pensou na relação. Havia a conhecido quinze anos antes, na faculdade. Paixão a primeira vista. Passavam horas discutindo as teorias anarquistas de Bakunim, as poesias de Neruda, Gabriel García Marquez e seus cem anos de solidão. Viveram ali nos primeiros anos uma paixão intensa, a flor da pele, que pulsava como um organismo vivo. Mas a vida acontece e o vapor intenso dos primeiros anos de relacionamento começa a se esvair e os problemas da vida a dois começam a ter uma presença quase física na vida cotidiana. Mas apesar disso todas as memórias de viagens, transas, idas ao cinema e ao teatro, jantares fora, almoços em família, pizzadas com os amigos eram boas demais.
Ele estava sorrindo. Sorrindo muito. Botou os Beatles para tocar na antiga vitrola da avó. Decidiu mandar um WhatsApp para ela. Dizia: “Cuidado nas ruas! Quando você voltar, tranque o portão, feche as janelas, apague a luz e acima de tudo, saiba que eu te amo”
Ao fim do disco foi dormir, com nada além de um sorriso no rosto e amor no coração.
——-
Conto livremente inspirado na canção “Quando você voltar” da Legião Urbana
- Calma, vamos conversar! – ele tentou reparar o dano
A briga tinha começado por algo completamente besta. A escolha de canais na TV no horário nobre. Como toda boa briga de casal que se prese o que começou completamente banal havia se tornado um cenário digno de batalha travada em uma das Guerras Mundiais. As brigas tinham se tornado cada vez mais comum, quase uma rotina na vida do casal. Era uma fórmula feita: tinham bons momentos, algo besta engatilhava uma briga, brigavam feio, tudo voltava ao normal.
Ele tentou ligar para ela. Não atendeu.
Não havia muito o que fazer naquela situação. Quando ela ficava brava o lance era esperar a poeira baixar e tentar conversar sobre o que tinha acontecido. Quando a briga era mais feia, ela saía para dirigir por entre as ruas da cidade.
Ele estava sozinho. Pensou na relação. Havia a conhecido quinze anos antes, na faculdade. Paixão a primeira vista. Passavam horas discutindo as teorias anarquistas de Bakunim, as poesias de Neruda, Gabriel García Marquez e seus cem anos de solidão. Viveram ali nos primeiros anos uma paixão intensa, a flor da pele, que pulsava como um organismo vivo. Mas a vida acontece e o vapor intenso dos primeiros anos de relacionamento começa a se esvair e os problemas da vida a dois começam a ter uma presença quase física na vida cotidiana. Mas apesar disso todas as memórias de viagens, transas, idas ao cinema e ao teatro, jantares fora, almoços em família, pizzadas com os amigos eram boas demais.
Ele estava sorrindo. Sorrindo muito. Botou os Beatles para tocar na antiga vitrola da avó. Decidiu mandar um WhatsApp para ela. Dizia: “Cuidado nas ruas! Quando você voltar, tranque o portão, feche as janelas, apague a luz e acima de tudo, saiba que eu te amo”
Ao fim do disco foi dormir, com nada além de um sorriso no rosto e amor no coração.
——-
Conto livremente inspirado na canção “Quando você voltar” da Legião Urbana
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