segunda-feira, 6 de junho de 2016
O Fabricante de Emoções
Ele acorda. Lê o jornal. A política não o interessa. Ele quer seu café-da-manhã. Vodka, por favor. Não tem? Serve vinho mesmo. Ele sai de casa. Acende o cigarro. Anda, sem rumo. A cidade é cinza. As pessoas não. Ele olha tudo ao seu redor. Um casal apaixonado, um coração aos berros. "Quantas coisas você pode achar nas ruas de São Paulo", ele pensa. Uma criança com fome, um idoso abandonado. Uma mãe super-protetora, um pai ausente. Ele pode voltar pra casa agora, já encontrou o que precisava. Sua matéria prima é o sentir. Ele senta na cadeira, encara a tela, bate os dedos vigorosamente em cada tecla. Derrama tudo que tem e o que não tem naqueles pequenos botões. Ele fabrica emoções a partir dos dedos. Está exausto. Não sobrou nada. Mais uma vodka, por favor. Ele chora, ele sorri, ele se apaixona, ele vê o amor ir embora, ele ri, ele fica com medo. Ele vê em sua tela só o preto e o branco. Esquece, às vezes, porém, que nas suas pequenas manchas pretas num fundo branco estão contidas as emoções mais coloridas que existem.
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