segunda-feira, 9 de maio de 2016

Batata.

Gosto muito de cozinhar. Horas e horas do meu tempo são investidas em ficar vendo receitas por essa internet a fora pra testar depois. Obviamente, como todo conhecimento adquirido na internet, nem um quarto disso é aplicado. Mas gosto mesmo assim, e até que me viro bem na cozinha. Mas no último sábado eu não estava com vontade alguma. O que comer? Pizza? Não, já comi ontem. Esfiha? As do Habib’s chegam frias em casa. Podrão que têm delivery? Fecharam. Meu maior temor se concretiza: teria de sair de casa e ir buscar alguma coisa. Penso logo no império do palhaço. Têm um McDonald’s perto de casa.
Como a chuva não tinha dado trégua durante a semana, tenho de pegar o carro. Tentando evitar o máximo de interação social possível, penso “Vou passar no drive-thru” e com essa ideia na cabeça concluo que tenho licença para ir de pijama até lá, afinal, não sairia do carro. Abdicando de qualquer norma social, lá vou eu.
Chego no lugar e vejo a fila quilométrica. Conhecendo bem o atendimento daquele McDonald’s estimo que ficaria uns 40 minutos, no mínimo, naquela fila. Irônico, no mínimo, para um fast-food. Perdendo um pouco mais da minha humanidade penso “Eu já sai de casa de pijama. E no final, é só uma roupa. Vou lá dentro que vou sair mais rápido"
Entro no restaurante. "Qual o pedido, senhor?”. Cheddar McMelt, sem cebola. Fanta, por favor. Pode botar a batata grande por mais um real, por favor. “Só aguardar ao lado, senhor”. Perfeito. O que me levaria uma eternidade na fila dos carros me tomou apenas dez minutos na fila dos bípedes. O atendente bota uma bandeja na minha frente. Arremessa um Cheddar McMelt sem cebola nela. Larga uma batata grande do lado. “Agora só falta a bebida” penso eu. Vejo o atendente indo para o outro lado. A moça do caixa ao lado registrou doze sorvetes para o cliente da outra fila, e ele tinha de cancelar o pedido. Vendo que ia demorar um pouco, sequestro uma batata da bandeja. E outra, e outra, e outra. Bruxaria, a batata do McDonald’s. Impossível comer uma. A crise da outra fila foi resolvida, quando as batatas chegaram quase na metade.
Nesse momento o atendente volta e joga um Big Mac na bandeja. E nesse momento eu percebi que aquela não era o meu pedido, e sim o pedido de um grupo de garotas que também estava “aguardando ao lado”.
“Onde esse mundo vai parar?” elas devem ter pensado. Um mundo onde psicopatas de pijama roubas suas batatas só pode estar fadado a um fim apocalíptico.

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