segunda-feira, 9 de maio de 2016

Quarto de Casal.

Era praticamente um ritual dos dois. Assistiam ao Jornal Nacional, a novela das nove e comiam algo. Ela tomava banho, ele ia logo em seguida. Deitavam-se na cama. Dormiam feito pedra até as seis da manhã do dia seguinte.
Aquele dia estava tudo diferente. Deitaram na cama pontualmente as onze da noite. Ela claramente estava preocupada com algo. Ele, desatento. Por volta da meia noite, finalmente botaram seus livros de lado e apagaram a luz. O vento lá fora denunciava que uma boa chuva chegaria durante a madrugada. Um ar levemente gelado se entranhava por de baixo das cobertas e causava uma estranha sensação na perna de ambos.
Ele virou para um lado, virou pro outro, levantou, foi à cozinha, buscou água, preparou um sanduíche com queijo, o comeu, bebeu leite morno com Dramin pra ver se o sono vinha, mas nada.
Ela mudou de lado da cama, rolou, foi ao banheiro, tentou ler mais um pouco, ligou nos comerciais de venda de anéis da TV a cabo, tentou ouvir música, sintonizou o rádio, foi atrás do marido, também tomou leite e depois de inúmeras tentativas o sono finalmente estava vindo. Duas da manhã.
Às três, acordou. Com os olhos pesados de sono ainda, passeou o olhar pelo quarto até chegar na poltrona reclinável que ficava no canto do cômodo e perguntou a ele:
- O que cê tá fazendo ai a essa hora?
E logo ao seu lado na cama, meio encoberto pelos lençóis veio a resposta:
- Mas eu estou aqui.

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